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As previsões meterológicas para este fim de semana seriam de muita chuva e vento. Ao acordar com o barulho da chuva que batia na janela do quarto confirmo essas mesmas previsões. O outono está definitivamente instalado. O vento que se faz sentir leva no ar as folhas secas e de tons acastanhados caídas das árvores, a chuva lava os bancos de jardim onde há umas semanas atrás as crianças brincavam e eu torno-me cada vez mais nostálgica.
Hoje a caminho da casa dos meus pais dei por mim a recordar momentos de criança e a recuar alguns anos, até à minha infância. Alguns quilómetros que se fazem em apenas dez minutos de carro hoje demoraram muito mais. 
Recordo-me de ajudar os meus avós na vindima ou na apanha das maçãs e das pêras. O dia começava sempre bem cedo e eu era a primeira a despertar, por vezes mais cedo que os meus pais. Era o dia em que a familia se reunia pela mesma causa e onde depois todos terminavam em redor de uma mesa para o almoço. Na mesa não faltava a típica Sopa da Pedra, o delicioso Cozido à Portuguesa ou até mesmo a condimentada feijoada. Comida de sustento, comida que confortava o corpo e a alma.

Eu gostava particularmente de apanhar maçãs e pêras.Recordo-me de ter as minhas próprias galochas (tamanho mini) e o meu pequeno balde. Enquanto que os meus tios apanhavam as maçãs que estavam no cimo das árvores eu aproveitava para encher o meu balde com fruta colhida dos ramos mais baixos ou até mesmo da que caíra entretanto da árvores para o chão, A cada balde cheio o entusiasmo era maior e no final somava todos os baldes que tinha completado,



É tão bom recordar momentos em família, rodeados de alegria e afectos. Sigo em direcção a casa dos meus pais com um brilho nos olhos de recordar velhas memórias e levo para sobremesa um Crumble de Pêra e Gengibre que me fará reforçar essas memórias a cada colherada. Pêras que noutros tempos poderiam ser das que tinha colhido. Mas hoje foram compradas no mercado aqui da terra a outros produtores.
Uma sobremesa saudável repleta de sabor e aroma em forma de um crumble. A doçura da pêra que contrasta com o sabor fresco do gengibre. A cobertura de Coco e Amêndoa dão aquele toque final. Ora vejam!!

É tempo de mudança. Mudança de mês, mudança de Estação do ano.
O Outono chega à boleia dos últimos dias de Verão que já deixam saudades. São as noites mais frescas e o dias mais curtos que nos lembram a nova estação. Troca-se as sandálias pelos sapatos mais quentes que estão no armário. Das gavetas tiram-se os casacos de malha que substituem as t-shirt's e os top's de Verão. É hora de usar os lenços que aconchegam o pescoço nas manhãs de orvalho enquanto os cachecóis esperam pacientemente para desfilarem numa próxima estação. A manta regressa ao sofá para acompanhar uma xícara de chá e uma fatia de bolo.

De braço dado com a Primavera, o Outono é outra das estações do ano que adoro. As ruas mudam de cor. Enchem-se de tons avermelhados, alaranjados e castanhos. Mas são os mercados que mais gosto de contemplar. As cores e os sabores de Verão dão origem a frutos e vegetais desta nova estação. Despedimo-nos dos últimos figos e damos as boas vindas aos dióspiros e às maçãs. Espera-se pacientemente pelas primeiras romãs enquanto se preparam as primeiras taças de marmelada. Descascam-se as nozes da nova colheita e apanham-se os vegetais de Outono. As abóboras tão apreciadas cá em casa, seja para doces ou salgados e as batatas doces vão ocupando o espaço na mesa. 
E num piscar de olhos, deparamo-nos numa tarde de domingo com um cartucho feito de jornal na mão com meia dúzia de castanhas assadas ainda a fumegarem de quentes que estão. São as castanhas assadas que irão reinar nestes próximos tempos.


Gosto particularmente dos dias mais frescos (não de chuva) em que me levam a ligar o forno. São os assados, os gratinados e as comidas de conforto que se impõem nesta cozinha. São os bolos caseiros e gulosos que aconchegam o estômago.
Para além de uma nova estação, chega de fininho um novo mês. Benvindo Outubro!! E com este inicio, há mais uma edição do grupo Dia um ... na cozinha cujo tema deste mês não poderia ser mais apropriado. Bolos de Outono!!


Mal soube do tema, de olho a luzir e sorriso no rosto as ideias não tardaram a chegar. Foram surgindo como pipocas. Iniciou-se com um bolo de dióspiro, rapidamente passou para um bolo de castanha e por fim um bolo de batata doce. Mas foi a abóbora que venceu. Três abóboras que o meu vizinho gentilmente me ofereceu no passado sábado ditaram a escolha do bolo.



Combinei a abóbora com algumas especiarias e acrescentei frutos secos. Um casamento de sabores, aromas e texturas que ligam na perfeição, formando um bolo denso e húmido repleto de sabor e memórias d'outros Outonos. Arrematei com uma cobertura de caramelo salgado dando um toque de inovação.
Sirvam-se de uma fatia e celebrem assim o Outono num Bolo de Abóbora, Especiarias e Frutos Secos. Sabores e texturas que se complementam dando assim as boas vindas a esta estação.
Olá Outono!!



Bolo de Abóbora, Especiarias e Frutos Secos com cobertura de Caramelo Salgado

Ingredientes:

** Para o Bolo **

375 gr de abóbora manteiga descascada
2 Ovos
160 gr de Farinha
2 colheres de sopa de Mel
75 gr de Açúcar amarelo
5 colheres de sopa de Azeite
2 colheres de café de Canela
1/2 colher de café de Noz Moscada
1 colher de café de Erva Doce
Sal q.b.
1 colher de chá de fermento em pó
Sumo de 1 laranja
1 Colher de sopa de Licor de Canela (usei Chocolicor)
1/2 Chávena de frutos secos (usei nozes, sultanas e alperces secos)




Preparação:

Comece por retirar a casca da abóbora e cortar a mesma em pedaços mais pequenos. Leve a cozer em água temperada com sal. Escorra bem a abóbora cozida e reduza a puré.
Acrescente os ovos, o azeite, o sumo de laranja e o açúcar. Misture tudo muito bem. Adicione as especiarias e o licor. Por fim acrescente os frutos secos e a farinha com o fermento envolvendo bem.
Unte uma forma com manteiga e polvilhe com farinha. Leve o preparado a cozer em forno pré aquecido a 180 ºC cerca de 30/40 minutos.
Retire, deixe arrefecer 5 minutos e desenforme.




**Para Caramelo Salgado **

Comece por levar ao lume 80 gr de açúcar amarelo com 1 colher de sopa de água. Em lume brando deixe derreter o açúcar sem mexer. Quando estiver derretido, retire do lume e crescente 100 ml de natas e 40 gr de manteiga. Mexa muito bem e junte 1 pitada de flor de sal.
Leve novamente ao lume até ferver uns 3/4 minutos, ficando mais espesso.

Coloque o bolo num bonito prato e por cima disponha o caramelo salgado. Decore com nozes ou outro fruto seco.



Deliciem-se!!

Esta estação chama por mim, os dias longos soalheiros (não como o de hoje)  e com  temperaturas quentes convidam-me a passeios, a idas à praia e a uns dias de férias. Desfrutar ao máximo desta estação e de tudo o que ela proporciona é a frase de ordem para este Verão.
Estação que não é só feita de dias que se estendem pela noite dentro, não é só feita de areia e mar, de piqueniques em família. É muito mais, composta por cores, sabores e aromas tão característicos.
As árvores de frutos vestem-se com doces e coloridas maravilhas que nos enriquecem a cozinha. No tacho cozem lentamente alguns quilos de fruta para uma compota, outras servem para preparar aquela sobremesa há muito desejada ou simplesmente fazem-nos companhia ao pequeno almoço, como que nos dando os bons dias.


É da variedade e da riqueza desta fruta que mais sinto saudades nos restantes meses do ano. No entanto, é nesses meses que a fruta vai ganhando vida, vai ganhando forma para depois no verão se pintar de cor e sabor.
Mas são nos campos perdidos e meio que esquecidos que surge um dos frutos tão apreciado aqui em casa. Com uma pequena tesoura na mão e um cesto na outra, sigo em direcção a esses pedaços de terra, que tão poucas histórias têm para contar e que são por mim tão valorizados neste periodo. Quando chego até eles, com um brilho nos olhos, apercebo-me que do tom avermelhado, a grande maioria já chegaram ao seu tom escuro sinónimo que devem de estar fantásticas para colher. Umas maiores, outras mais pequenas, mas únicas no sabor as amoras silvestres lá vão enchendo o meu cesto de verga.



Quem me conhece sabe o gosto que tenho pelas grandes cidades e sobretudo a minha paixão por Lisboa.
É lá que temos acesso a tudo o que precisamos (de bom e de menos bom!!). Mas como eu gosto de estar atenta somente às coisas boas que a vida me proporciona, é nas grandes cidades que facilmente vamos a um concerto ou teatro, é lá que me é possível participar num maior número de diferentes iniciativas sejam elas ligadas a desporto, cultura, moda ou gastronomia. Áreas que me fascinam e que me levam muitas vezes a deslocar-me até lá. Para participar num workshop, assistir a um showcooking, ver um espectáculo, ir a algum festival ou poder simplesmente aproveitar outro qualquer evento, ter a oportunidade de fazer coisas diferentes, que gosto, que me dão prazer e que me levam as conhecer novas realidades, outras novidades e diferentes pessoas. Nunca esquecendo das pessoas que me acompanham nestas aventuras e de quem gosto muito.



O mundo que acabo por descrever por vezes impede-me de constatar que viver na aldeia, ou na província como muitas vezes eu carinhosamente chamo, é viver rodeada de uma enorme qualidade de vida. O sossego, o ar puro, o silêncio e o contacto com a natureza rejuvenesce-nos e nos dá folgo para podermos enfrentar as etapas da vida com muito mais vigor e força.

Dou conta disso quando chego a casa dos  meus pais e vejo aquele enorme quintal cheio de vida. As curgetes que ontem estavam pequenas hoje já cresceram imenso (ideais para a minha sopa). Do outro lado do canteiro estão os pepinos, os pimentos e os tomates coloridos a chamarem por mim, para os trazer para as minhas saladas.
Ao lado um balde com feijão verde e outro com brócolos acabados de serem apanhados pela minha mãe para serem consumidos naquela semana.



Mas é quando chego do outro lado do quintal, onde o pomar e as árvores de fruto me sorriem. A cerejeira que em tempos esteve carregadinha de doces cerejas hoje olho-a com a esperança de que no próximo ano dê ainda mais fruta. 
Os alperces também já terminaram, apanhei no fim de semana passado os últimos.
Agora são as ameixoeiras e os pessegueiros que nos brindam com os seus frutos. Ameixas vermelhas de tamanho mais pequeno (ameixas de Sto António como a minha mãe lhes chama), outras maiores avermelhadas também e as de cor amarelas são as que agora posso saborear, ficando a aguardar pelas que mais gosto as Rainha Cláudia e os Abrunhos que tanto amo.
Quanto aos pêssegos são também diversas as qualidades que numa única árvore se pode colher. O meu pai, filho de agricultor e que desde miúdo conhece esta arte como ninguém, consegue numa única árvore enxertar diversas qualidades de fruto. Se é ciência não sei, mas que é conhecedor desta arte é com certeza. 
Olho em redor e me deslumbro com a cor, os cheiros e o sabor da fruta. Não há nada melhor que consumir a fruta directamente da árvore. produzida na nossa terra, por pessoas conhecedoras e sabedoras desta arte.



Assim, já com algumas ameixas e pêssegos na algibeira volto para casa, aguardando que as figueiras possam me dar doces e suculentos figos entretanto. Fruta que tanto amo. 

Melhor que comer fruta colhida por mim directamente das árvores com aromas e sabor únicos é poder preparar sobremesas ainda mais ricas, como é o caso desta que vos deixo hoje.
A inspiração veio deste livro da Joy Wilson do blogue Joy the Baker. Um livro simples, receitas sedutoras e de fácil preparação. A autora chamou a esta maravilha Peach Cobbler with orange and cinnamon dumplings, que se resume a pêssego no forno que é coberto com massa de biscoito com laranja e canela. Eu juntei aos pêssegos, ameixas do quintal lá de casa e ficou igualmente delicioso.
O doce da fruta conjugado na perfeição com o pedaço de bolo que fica com uma crosta estaladiça  e com sabor a canela levando-nos a repetir. Pode ser servido assim simplesmente ou ainda mais guloso quando acompanhado com uma bola de gelado (ou  duas ou três ....)



Peach and Plum Cobbler with dumplings *** Pêssego e Ameixa no forno com biscoito

Ingredientes:

4 Pêssegos grandes
10 Ameixas pequenas ou 6 grandes
1 Chávena de Açúcar
1/4 Chávena de farinha maisena
2 Colheres de chá de canela em pó
1 Colher de café de sementes de cardamomo
Sumo de 1 laranja grande
Raspa de 1/2 laranja




*Para biscoito:

1/4 de chávena de açúcar
2 Chávenas de farinha
1 Colher de chá de fermento em pó
1 Colher de café de sal
1/2 Chávena de manteiga (deve estar cortada em cubos e bem fria)
1 Ovo
1 Chávena de leite frio
1 Colher de chá de canela em pó




Preparação:

Comece por lavar as ameixas e retirar o caroço, cortando-as ao meio. Descasque os pêssegos e corte em pedaços não muito pequenos, retirando o caroço.
Numa taça junte a fruta, o açúcar, a canela, a farinha maisena, o cardamomo e o sumo e raspa da laranja. Misture delicadamente e reserve.

Prepare a massa do biscoito. Numa taça junte o açúcar com a farinha, o sal e o fermente. Misture bem. Acrescente a manteiga e com a ajuda dos dedos amasse bem até ficar um preparado granulado em que a manteiga já está quase desfeita. Acrescente a canela e reserve.
Noutra taça bata o ovo com o leite e acrescente ao preparado da farinha. Misture bem.

Num pirex de ir ao forno coloque o preparado da fruta e por cima com a ajuda de uma colher, disponha colheradas da massa do bolo. Misture 3 colheres de sopa de açúcar com 1 colher de café de canela em pó e polvilhe a massa de biscoito.

Leve a cozer em forno pré aquecido a 190ºC cerca de 35/40 minutos. Se Começar a ficar mais escuro o bolo coloque folha de alumínio por cima.

Retire e deixe arrefecer cerca de 10 minutos. Sirva ainda morno e caso pretenda pode servir com gelado.

Deliciem-se!!



Uma pausa para conviver e para lanchar é preciso!!



A correria do dia-a-dia, o trabalho cada vez mais exigente, os objetivos que crescem a cada ciclo comercial levam à necessidade de alguns minutos para desanuviar.
Assim, nos reunimos por alguns momentos na sala de reuniões e ao invés de uma reunião passamos algum tempo, em volta de uma mesa a celebrar alguns minutos de descanso, entre conversas e gargalhadas, saboreado uma fatia de bolo, umas bolachas crocantes ou até uns queques cheios de sabor acompanhados de um café ou até de um chá quente em dias de inverno. 



E foi para um desses dias que preparei uns Queques de Frutos Secos e Especiarias para se juntar à mesa. A receita veio do blogue Cinco Quartos de Laranja da querida Isabel Zibaia, o qual sigo com empenho e carinho. Optei por preparar alguns queques ao invés de um bolo, por forma preparar assim doses individuais para o lanche. Foi uma escolha acertada.

Uma massa bastante fofa e muito aromática, com imensos sabores e um cheiro delicioso que invade a mesa do lanche.



Queques de Especiarias e Frutos Secos

Ingredientes:

210 gr de Açúcar
200 gr Farinha
3 Ovos
0,5 dl Azeite
1 colher de chá de canela
1 colher de chá de gengibre em pó
1/2 colher de café de noz moscada
1 pitada de sal
0,5 dl de Vinho do Porto 
Raspa de 1 laranja
100 gr Tâmaras sem caroço
Alperces secos picados q.b.
Nozes q.b.
Sultanas q.b.
Açúcar em pó q.b.



Preparação:

Pique as tâmaras e coloque numa taça. Regue com o Vinho do Porto e deixe macerar. Numa taça coloque o açúcar, a farinha, as especiarias, o sal, os ovos, o azeite, a raspa de laranja, e as tâmaras. Misture com a ajuda de uma colher.
Numa taça junta-se as nozes picadas, as sultanas e os alperces picados. Envolve-se com um pouco de farinha e junte ao preparado anterior. Misture bem.
Pré aqueça o forno a 180ºC. Unte com manteiga formas de queques e polvilhe com farinha. Disponha o preparado nas formas até encher cerca de 3/4 das formas. Leve ao forno a cozer cerca de 35 a 40 minutos.


Retire do lume e deixe arrefecer. Desenforme e polvilha-se com açúcar em pó.





Deliciem-se!!



É hora de regressar ... É sempre difícil o momento em que regressamos de férias, principalmente quando foram simplesmente magnificas. Como costumo dizer devia-se ter mais uns dias para descansar das férias.

E desta vez está complicado voltar à rotina diária. Apesar de ter ligado o botão da realidade o corpo não obedece ao ritmo alucinado do dia a dia. Ainda me revejo por terra marroquinas, entre montanhas e deserto, entre a areia fina e a terra vermelha, entre os cheiros e cores características daquele lugar.

Quero desfrutar dessas lembranças, desses momentos que vivi na última semana. Quero escrever algo para este post e nada flui, o raciocínio confundo-se com as imagens de Marrocos, a inspiração está lá longe, bem longe noutro continente.




Agora aprecio e desejo refeições simples, práticas e rápidas de preparar. Como pequenos almoços nutritivos e diferentes.

Fica como sugestão para o vosso pequeno almoço de qualquer uns dos dias, dado que é fácil de preparar, sendo contudo saudável e bastante saboroso.



Taça de Iogurte com Maçã e Millet


Ingredientes:

2 Iogurtes naturais não açúcarados
1 Colher de sopa de mel
1/3 de chávena de millet (usei Sementina)
1 Maçã ralada (com ralador da Borner)
2 Colheres de café de canela em pó
Maçã desidratada q.b. (SaborBio)


            



Preparação:

Comece por cozer o millet em água (1 medida de millet, 2 de água) e deixe arrefecer.
Rale a maçã para uma taça e reserve. Usei o ralador Borner.
Noutra taça junte os iogurtes com o mel e mexa bem. Adicione o millet cozido e a maçã ralado. Misture tudo. Divida em duas bonitas taças e polvilhe com pedaços de maçã desidratada e canela em pó.

      


Deliciem-se!


Está na hora de virar mais uma página do calendário. É o momento de nos despedirmos de Março dando assim as boas vindas a mais um mês, o mês de Abril.

Este mês que ainda agora deu o ar da sua graça e já tem quase todos os seus dias preenchidos. Normalmente escolho este mês para tirar a minha primeira semana de férias e este ano não é diferente. Assim, e a pouco mais de uma semana para as minhas tão merecidas férias já conto os dias, horas, minutos e até os segundos. Com algumas mudanças no meu trabalho é o momento ideal para recarregar baterias longe da correria e do stress do dia a dia, sem horários, sem tarefas pré definidas, sem o cronometro ligado...

As expectativas de dias de sol e calor muito anunciadas animam-me. Com os parques e jardins decorados com uma imensidão de cores obtidas pelas flores que já estão a florir e com as temperaturas amenas que acompanham os raios de sol são a perfeita desculpa para se dar inicio aos piqueniques em família ou entre amigos. 



Abril é sinónimo de Páscoa, que será festejada já no próximo domingo. Indo à minha bagagem de memórias, recordo-me perfeitamente das férias vividas em casa dos meus avós maternos. A sexta feira santa era o dia para preparar os folares. Uns para serem distribuídos pelos vizinhos e familiares no domingo e outros para estarem presentes na mesa pascal.

Logo pela manhã lá ia eu até casa da minha avó onde ela já tinha colocado uma panela com água a ferver com cascas de cebola e lá dentro algumas dúzias de ovos, que iriam embelezar os folares.
A lenha já ardia no forno para assim o aquecer e eu sentada num dos bancos da cozinha contemplava a minha avó que ia juntando num enorme alguidar de barro todos os ingredientes para a massa dos folares. Misturava tudo muito bem e amassava a massa com toda a sabedoria. A massa ganhava vida pelas mãos calejadas do trabalho da minha avó, de quem sabia amassar na perfeição.
A massa era transformada em pequenas bolas e colocadas sobre a bancada enfarinhada e eu era incumbida de guarnecer os folares colocando um ovo cozido no centro e pincelar o folar com ovo batido para ficarem dourados quando cozidos. Assim ficariam perfeitos!!
A cozinha era inundada com um aroma divinal. Lembro-me que não conseguia resistir sem provar um pedaço de um folar ainda quente, acabadinho de sair do forno a lenha.

Os almoços de domingo de Páscoa em família felizmente ainda se mantém. Reunidos à volta de uma mesa onde reina a boa disposição, aromas e sabores de Páscoa. O cabrito ou o borrego são normalmente os eleitos para prato principal. As amêndoas, o pão de ló e os folares são também presenças obrigatórias na nossa mesa.


E falando em FOLAR este será o próximo tema da 23ª edição da iniciativa Dia Um... Na Cozinha! Eles são salgados eles são doces, variam de região para região, estando sempre a inovar-se nas formas e nos sabores.


O folar que hoje trago foi a minha terceira tentativa. Sim, TERCEIRA!!! Estive mesmo para desistir, mas não queria deixar de participar.

O folares anteriormente preparados tinham os sabores pretendidos mas a massa não me convenceu.  Após pensar se iria ou não passar à terceira tentativa, lembrei-me do Folar do Algarve que gosto imenso. Inspirado então neste tipo de folar apresento-vos um Folar de Maçã, Canela e Amêndoa. Vai ganhando forma através de camadas de massa que levedou algumas horas com sabores de canela. Entre as camadas um recheio rico em sabores e texturas. Composto por compota de maçã, canela e amêndoa picada.

Espero que vos agradem como me agradou. Posso dizer que à terceira foi de vez!!




Folar de Maçã, Canela e Amêndoa

(receita adaptada da revista Mulher na Cozinha Especial Pão 2014)

Ingredientes:

 *Massa: 

500gr Farinha tipo 65
35 gr fermento padeiro
0,5 dl de àgua
1 pitada de sal
1 Colher de sopa de Licor de Canela (Chocolicor)
Raspa de 1 Laranja
65gr manteiga
75 gr de banha



* Recheio:

Compota de maçã q.b.
3 Maçãs Golden
Açúcar q.b.
Canela q.b.
Creme vegetal q.b.
Amêndoa picada q.b.


* Compota Maçã:

1kg maçã
700 gr açúcar
1 Vidrado de limão
1 pau de canela





Preparação:

Comece por preparar a compota. Descasque as maçãs e retire o caroço. Leve ao lume cerca de 5 minutos com um pouco de água até amolecerem.
Retire e corte em cubos. Leve novamente ao lume num tacho, juntando o açúcar, o vidrado de limão e o pau de canela deixando ferver até obter uma redução cremosa. 
Retire e coloque em frascos esterilizados.

Para preparar a massa comece por juntar o fermento com a água morna, mexendo até se dissolver. Numa taça junte a farinha, o sal, o licor de canela e o sumo de laranja. Derreta a manteiga e a banha e adicione ao preparado da farinha, assim como o preparado do fermento derretido. Amasse muito bem, até ficar tudo muito bem ligado. Divida a massa em 7 partes iguais e estenda cada uma das partes em circulo.

Retire o caroço e descasque as maçãs, cortando as mesmas em rodelas muito finas. Pique a amêndoa grosseiramente.



Forre uma forma de 22 cm de fundo amomivel com papel vegetal e coloque um circulo de massa. Barre com um pouco de creme vegetal, polvilhe com açúcar e canela em pó. por cima disponha rodelas de maçã e um pouco de compota de maçã, por fim polvilhe com amêndoa picada. Coloque outro circulo de massa por cima e repita as camadas ( creme vegetal para barrar a massa, polvilhar com açúcar e canela, dispor as rodelas finas de maçã, um pouco de compota de maçã e finalizar com amêndoa picada. Novamente mais um disco de massa e assim consecutivamente até terminar com o último circulo de massa. 
Barre este ultimo circulo de massa com creme vegetal e polvilhe com açúcar e canela.
Vai a levedar 3 horas em lugar aquecido. Findo o tempo leve a cozer em forno pré aquecido a 180ºC, cerca de 50 minutos. Deixe arrefecer e desenforme depois de frio.



Deliciem-se e Boa Páscoa!!