Quem me conhece sabe o gosto que tenho pelas grandes cidades e sobretudo a minha paixão por Lisboa.
É lá que temos acesso a tudo o que precisamos (de bom e de menos bom!!). Mas como eu gosto de estar atenta somente às coisas boas que a vida me proporciona, é nas grandes cidades que facilmente vamos a um concerto ou teatro, é lá que me é possível participar num maior número de diferentes iniciativas sejam elas ligadas a desporto, cultura, moda ou gastronomia. Áreas que me fascinam e que me levam muitas vezes a deslocar-me até lá. Para participar num
workshop, assistir a um
showcooking, ver um espectáculo, ir a algum festival ou poder simplesmente aproveitar outro qualquer evento, ter a oportunidade de fazer coisas diferentes, que gosto, que me dão prazer e que me levam as conhecer novas realidades, outras novidades e diferentes pessoas. Nunca esquecendo das pessoas que me acompanham nestas aventuras e de quem gosto muito.
O mundo que acabo por descrever por vezes impede-me de constatar que viver na aldeia, ou na província como muitas vezes eu carinhosamente chamo, é viver rodeada de uma enorme qualidade de vida. O sossego, o ar puro, o silêncio e o contacto com a natureza rejuvenesce-nos e nos dá folgo para podermos enfrentar as etapas da vida com muito mais vigor e força.
Dou conta disso quando chego a casa dos meus pais e vejo aquele enorme quintal cheio de vida. As curgetes que ontem estavam pequenas hoje já cresceram imenso (ideais para a minha sopa). Do outro lado do canteiro estão os pepinos, os pimentos e os tomates coloridos a chamarem por mim, para os trazer para as minhas saladas.
Ao lado um balde com feijão verde e outro com brócolos acabados de serem apanhados pela minha mãe para serem consumidos naquela semana.
Mas é quando chego do outro lado do quintal, onde o pomar e as árvores de fruto me sorriem. A cerejeira que em tempos esteve carregadinha de doces cerejas hoje olho-a com a esperança de que no próximo ano dê ainda mais fruta.
Os alperces também já terminaram, apanhei no fim de semana passado os últimos.
Agora são as ameixoeiras e os pessegueiros que nos brindam com os seus frutos. Ameixas vermelhas de tamanho mais pequeno (ameixas de Sto António como a minha mãe lhes chama), outras maiores avermelhadas também e as de cor amarelas são as que agora posso saborear, ficando a aguardar pelas que mais gosto as Rainha Cláudia e os Abrunhos que tanto amo.
Quanto aos pêssegos são também diversas as qualidades que numa única árvore se pode colher. O meu pai, filho de agricultor e que desde miúdo conhece esta arte como ninguém, consegue numa única árvore enxertar diversas qualidades de fruto. Se é ciência não sei, mas que é conhecedor desta arte é com certeza.
Olho em redor e me deslumbro com a cor, os cheiros e o sabor da fruta. Não há nada melhor que consumir a fruta directamente da árvore. produzida na nossa terra, por pessoas conhecedoras e sabedoras desta arte.
Assim, já com algumas ameixas e pêssegos na algibeira volto para casa, aguardando que as figueiras possam me dar doces e suculentos figos entretanto. Fruta que tanto amo.
Melhor que comer fruta colhida por mim directamente das árvores com aromas e sabor únicos é poder preparar sobremesas ainda mais ricas, como é o caso desta que vos deixo hoje.
A inspiração veio
deste livro da
Joy Wilson do blogue
Joy the Baker. Um livro simples, receitas sedutoras e de fácil preparação. A autora chamou a esta maravilha
Peach Cobbler with orange and cinnamon dumplings, que se resume a pêssego no forno que é coberto com massa de biscoito com laranja e canela. Eu juntei aos pêssegos, ameixas do quintal lá de casa e ficou igualmente delicioso.
O doce da fruta conjugado na perfeição com o pedaço de bolo que fica com uma crosta estaladiça e com sabor a canela levando-nos a repetir. Pode ser servido assim simplesmente ou ainda mais guloso quando acompanhado com uma bola de gelado (ou duas ou três ....)
Peach and Plum Cobbler with dumplings *** Pêssego e Ameixa no forno com biscoito
Ingredientes:
4 Pêssegos grandes
10 Ameixas pequenas ou 6 grandes
1 Chávena de Açúcar
1/4 Chávena de farinha maisena
2 Colheres de chá de canela em pó
1 Colher de café de sementes de cardamomo
Sumo de 1 laranja grande
*Para biscoito:
1/4 de chávena de açúcar
2 Chávenas de farinha
1 Colher de chá de fermento em pó
1 Colher de café de sal
1/2 Chávena de manteiga (deve estar cortada em cubos e bem fria)
1 Ovo
1 Chávena de leite frio
1 Colher de chá de canela em pó
Preparação:
Comece por lavar as ameixas e retirar o caroço, cortando-as ao meio. Descasque os pêssegos e corte em pedaços não muito pequenos, retirando o caroço.
Numa taça junte a fruta, o açúcar, a canela, a farinha maisena, o cardamomo e o sumo e raspa da laranja. Misture delicadamente e reserve.
Prepare a massa do biscoito. Numa taça junte o açúcar com a farinha, o sal e o fermente. Misture bem. Acrescente a manteiga e com a ajuda dos dedos amasse bem até ficar um preparado granulado em que a manteiga já está quase desfeita. Acrescente a canela e reserve.
Noutra taça bata o ovo com o leite e acrescente ao preparado da farinha. Misture bem.
Num pirex de ir ao forno coloque o preparado da fruta e por cima com a ajuda de uma colher, disponha colheradas da massa do bolo. Misture 3 colheres de sopa de açúcar com 1 colher de café de canela em pó e polvilhe a massa de biscoito.
Leve a cozer em forno pré aquecido a 190ºC cerca de 35/40 minutos. Se Começar a ficar mais escuro o bolo coloque folha de alumínio por cima.
Retire e deixe arrefecer cerca de 10 minutos. Sirva ainda morno e caso pretenda pode servir com gelado.
Deliciem-se!!