Nunca me canso de visitar regularmente o quintal dos meus pais. São as árvores de fruto que encarregam de se mostrarem deslumbrantes e bem vistosas a cada estação ou os legumes e vegetais que brotam da terra como que se reproduzissem a cada olhar. Desde pessegueiros, a pereiras, cerejeiras, nespereiras e mais umas tantas outras árvores de fruto, passando pelo cultivo de couve, cebolas, tomates, alfaces, pepinos e por vezes até meloa. Uma infinidade de coisas boas incomparáveis em termos de sabor e nutrientes.

A minha última visita, tal como todas as outras, foi bastante produtiva. Desta vez para além dos limões e das cebolas, do molho de nabos e das tangeras, são as laranjas que se revelam. Laranjas enormes e bem sumarentas. São menos de meia dúzia as laranjeiras do quintal, mas sempre me lembro daquelas árvores naquele mesmo sitio e eu de forma repetitiva ano após ano lá vou colher cada laranja com a calma e serenidade que eu gosto. Uma maiores outras mais pequenas, são as de casca mais grossa que me seduzem. Desenganem-se quem acha que não têm sumo. Nada disso, têm tanto de sumo como de doce. Um par de laranjas e já me enche a barriga.

Assim, aliado ao cesto recheado de laranjas está a vontade de preencher fins de semana preguiçosos, daqueles que me levam até ao sofá embrulhada numa manta a ver de forma ordenada séries e filmes, daqueles em que queremos perfumar a casa com aromas gulosos, daqueles que me fazem ligar o forno e preparar algo que encha de magia qualquer lanche de domingo.





Não escondo o gosto pelos citrinos e nada melhor e mais apropriado que preparar um bolo com uma massa suave e bem aromatizada com o sabor da laranja que casa na perfeição com o azeite que a receita também comporta. Azeite esse também  da última colheita do passado ano. Faz-se magia ao misturar de forma delicada a massa, envolvendo-se todos os ingrediente ao som das baladas do coração e com todo o amor que a receita pede. A receita estará pronta quando a massa é recebida numa forma linda, na minha nova forma Crown da Nordic Ware. Um presente de Natal bem saboroso e que me surpreendeu (ainda há amigas do coração).

A escolha foi mais que perfeita. Uma escolha que me leva às minhas memórias e recordações. Leva-me até à cozinha da casa dos meus pais, num sábado à noite, onde a minha mãe preparava sempre um bolo para o pequeno almoço e lanche de domingo. Quase sempre o de laranja era o eleito. Enquanto o bolo cozia no forno ainda a gás, eu teimosamente e de forma deliciada, olhava sobre o vidro do forno o bolo que ganhava vida e forma, sabor e cor. A minha mãe por sua vez preparava a calda com o sumo da laranja e açúcar que depois era colocada sobro o bolo ainda quente, por forma o tornar ainda mais apetecível e viciante. 

Para vós deixo as minhas memórias e uma fatia de um bolo simples de preparar que acompanha muito bem qualquer chávena de café ou chá. Um bolo de sabores simples mas não menos guloso.





Bundt de Laranja e Azeite

Ingredientes:

5 Ovos
290 gr de Açúcar
280 gr de Farinha
1 colher chá de fermento em pó
130 gr de Azeite
150 ml de Sumo de Laranja
Raspa de 2 laranjas
Açúcar em pó q.b.


Preparação:

Comece por pré aquecer o forno a 180 ºC. Unte uma forma com manteiga e polvilhe com farinha, ou unte apenas com spray desmoldante. Reserve
Numa taça bata os ovos com o açúcar e a raspa de laranja. Bata por cerca de 5 minutos ou até o preparado duplicar de volume. Acrescente o azeite e o sumo de laranja. Misture tudo muito bem. Por fim adicione a farinha com o fermento e envolva tudo de forma delicada.
Disponha a massa numa forma de bundt e leve ao forno cerca de 40/45 minutos. Para saber se está cozido faça o teste do palito.
Retire do forno e deixe arrefecer por cerca de 5 minutos. Desenforme para um bonito prato de servir e deixa arrefecer totalmente. Por fim decore com açúcar em pó, polvilhando assim sobre o bolo o açúcar em pó.










" A mim este sol, estes prados, estas flores contentam-me..."

Cito Alberto Caeiro fazendo assim a introdução que servirá de ponte à descrição de um Lugar que descobri e me encantou nas últimas férias de Setembro do ano passado.
O texto fora escrito nessa altura, mas só agora o tempo me permitiu partilhar. Já passaram alguns meses, bem sei, mas estará sempre actual, porque o Lugar do Ainda continua a fazer história no seu lugar encantado.
Foi nas margens tranquilas e calmas da Barragem do Pisco que cuidadosamente me sentei e desfrutei daquele silêncio, apenas interrompido pelo cantarolar dos pássaros ou pelas árvores que se moviam ao sabor do vento.
Apenas 10 minutos e uma caminhada por entre uma densa área de pinheiros separam a barragem do Lugar do Ainda. Lugar encantado que não é titulo de livro de historia, é apenas um simples e acolhedor turismo rural em São Vicente da Beira. Um lugar que proporciona histórias e que pretende criar doces momentos.






De regresso ao seu país depois de algum tempo por terras africanas, Ana e a sua família abraçaram este projecto com todo o entusiasmo. A recuperação de uma casa, mantendo os traços rústicos e antigos levaram Ana a apostar no turismo rural.
A porta de madeira com puxadores antigos dá o mote para entrar naquele palacete e nos vislumbrarmos com tamanha dimensão. O chão em cerâmica ou de madeira nos quartos, uma escada de madeira que nos transporta até ao piso superior faz deste alojamento algo único. Cá em baixo serve-se o pequeno almoço numa sala robusta, uma pequena biblioteca também faz parte do espaço e uma sala de estar que convida a jogos, a conversas ou mesmo a secções de cinema completa o piso inferior. De África trouxe o calor, as cores, os cheiros e a inspiração que se traduzem na decoração ou em pequenos apontamentos espalhados pela casa.
A vista, essa é sobre a piscina e o jardim que lhe faz companhia. A acompanhar o ar puro que se respira e o silêncio que se nota no seu pleno.
Mais que um lugar encantado é um lugar de encantos e de histórias. Ana pretende que quem a visita se sinta bem, se sinta em casa. O gosto pelo bem receber pode-se ver através de pequenos mimos que deixa num tabuleiro no quarto quando chegamos. Chá e Café assim como alguns frutos secos não são esquecidos. Simples gestos que nos reconfortam o coração e aquecem a alma. Que nos fazem sentir bem, sentir especiais!!







Todo esta recepção e dedicação estende-se ao pequeno almoço. Pão fresco sobre a mesa, sumos naturais, compotas caseiras, queijo da sua terra, panquecas bem fofas, bolo caseiro, fruta da época ou ovos mexidos são algumas das iguarias com que podemos deliciar logo pela manhã. Para arrematar com a refeição um expressa acabadinho e sair!

As actividades neste lugar não se restringem a caminhadas, banhos na piscina ou leituras na biblioteca. Para os mais aventureiros as bicicletas estão à disposição para passeios em família e não só. Em parceria com outras entidades o Lugar do Ainda proporciona também passeios de burro, workshops de "como fazer pão" ou cestos de piqueniques para os mais românticos.

Lugar simples, lugar com tamanho encanto que que faz pensar em regressar logo que possível!


















Estamos a poucas horas da noite de Natal, da reunião das famílias em redor de uma mesa repleta de iguarias bem natalícias. Os aromas e sabores já pairam no ar e o sentido do verdadeiro Natal está a bater à porta.
Gosto particularmente desta época festiva. As luzes, as ruas embelezadas e repletas de cor e luz, a música que se faz ouvir em qualquer esquina. Longe das correrias aos shoppings e ao puro consumo, retenho-me e refugiu-me a preparar os últimos presentes. Pacotes de bolachas, umas quantas granolas caseiras, licores ou compotas e até uns chocolates serão alguns dos miminhos com que vou presentear os amigos e familiares. 
A casa prepara-se desde o inicio do mês. É nesse momento que a árvore de natal ganha forma e destaque em plena sala. Decorada com bolas vermelhas e prateadas, estrelas e mais uns quantas peças natalícias, são as luzes que ao iluminarem-na conferem-lhe a sua magia.
O presépio decora o aparador, bem mais modesto ao que eu me habituei e o arranjo de Natal serve de centro de mesa, compondo a mesma e dando-lhe alma e sabor desta estação.
É nesta altura que as memorias de infância que me acompanham, se reforçam. Lembro-me do meu pai me trazer um pinheiro natural e de eu, toda entusiasmada, o decorar com imensas fitas. Das mais variadas cores, umas mais farfalhudas outras bem mais simples, faziam par com as muitas bolas que também vestiam o pinheiro. O presépio feito com musgo natural, que eu própria colhia com os meus pais para uma caixa de plástico da apanha da fruta, chegava a casa e era usado para a preparação de um presépio bem rico, repleto de história e de várias imagens em barro que a minha mãe tinha comprado ao longos dos anos no mercado. A Maria e o São José, atrás o burro e a vaca e ao centro o menino Jesus. O anjo mais acima, os três reis magos, o pastor e algumas ovelhas espalhadas pelo cenário, davam vida ao meu presépio.  Ao seu lado os presentes embrulhados a preceito para serem na noite de Natal, distribuídos e entregues ao seu dono.




A noite e o dia de Natal eram passados em casa dos meus avós ao redor da lareira acesa e do lume que nos aquecia. Atrás uma mesa repleta de doces. Os sonhos e as rabanadas, o leite creme e o arroz doce, o tronco de natal ou o pão-de-ló, assim como o bolo rei não podiam faltar na mesa.

Outros tempos que tento transpor para este Natal. Desta inspiração sai a próxima receita, preparada com toda a emoção e sentimento segue directamente para a mesa de Natal. Um tronco de Natal de sabores modernos, o pistachio como rei, e as framboesas que o decoram e lhe conferem a frescura necessária.
Uma sugestão bem gulosa e altamente viciante que fará da mesa de natal uma mesa mais rica e decadente.

Desta forma desejo a todos os leitores deste cantinho e a todos os que visitam o blog um Feliz Natal e um Ótimo ano de 2018.







Tronco de Pistachio e Framboesas

(receita inspirada daqui)

Ingredientes:

75 gr pistachios
4 ovos
130 gr açúcar
80 gr farinha
2 colheres de sopa de água quente
1/2 colher de chá de sal
1/2 colher de chá de extracto baunilha
250 gr de framboesas
açúcar em pó q.b.

   *Creme: 500 gr queijo mascarpone
                  100 gr manteiga à temperatura ambiente
                  200 gr de açúcar em pó
                  1/2 colher de chá de extracto baunilha

Preparação:

Comece por picar os pistachios e reservar.
Numa taça bata com a ajuda de uma batedeira eléctrica, por cerca de 5 minutos as gemas com o açúcar. Acrescente a água quente e misture bem.
Bata as claras em castelo e adicione ao preparado das gemas. Vá alternando com a farinha e envolva bem.
Por fim adicione delicadamente os pistachios, o extracto de baunilha e o sal. Misture muito bem.
Unte um tabuleiro (35x30 cm) com manteiga e forre com papel vegetal untando novamente o papel com manteiga. Coloque a massa no tabuleiro e leve a cozer em forno pré aquecido a 180ºC cerca de 15 minutos.
Retire e deixe arrefecer por 5 minutos. Depois polvilhe uma superfície com açúcar em pó e disponha o bolo sobre ela. Retire o papel e polvilhe também com açúcar em pó. Reserve até estar totalmente frio.Entretanto prepare o creme. Bata o queijo com a manteiga e o açúcar. Aromatize com extracto de baunilha.
Barre o rectângulo de massa com 2/3 do creme, deixando 2 cm nas laterais sem creme e disponha sobre ele as framboesas, reservando algumas para decorar. Enrole com cuidado e coloque num bonito prato de servir. Barre a torta com o restante creme, decore com framboesas reservadas e pistachios picados. Polvilhe com açúcar em pó e sirva.



O frio chegou finalmente, com toda a força como não se esperava. Temperaturas que fazem tirar os casacos bem quentes e as camisolas de lã do armário. Da gaveta retiram-se as luvas que aquecem as mãos e os cachecóis que aconchegam o pescoço.
Confesso que gosto destes dias de frio e de pleno sol. Dias que apesar de tudo, convidam a passeios para desfrutar do azul do céu e dos raios de sol que aquecem a cara. Um passeio numa tarde de domingo, onde encontramos os carrinhos de vendedores de castanhas. Aquele fumo e o seu cheiro tão característico convida a comprar um pacotinho de castanhas assadas e a saborear cada uma de forma lenta, aquecendo assim a alma e as mãos. Para além de as sujar :) Mas no final sentimos o conforto numa tarde fria de Dezembro.
Recordo-me que nos meus tempos de infância, estes dias bem frios em que as temperaturas baixavam muito, eram passados sentada num banco junto à enorme lareira acesa em casa dos meus avós maternos. Os meus pensamentos levam-me até junto daquele lume que crepitava com toda a força, ao seu lado uma cafeteira de água era aquecida para se preparar café. E as brasas eram elas a torradeira de serviço naquele dia. Um papo-seco aberto ao meio era assim torrado que depois recebia uma generosa noz de manteiga. Ainda hoje sinto os cheiros e sabores daquele café e da torrada que me sabia pela vida.

Com o frio chega também um novo mês, Dezembro. Último mês do ano, mês do Natal e das suas celebrações, mês que antecipa a chegava de um novo ano e com ele novos sonhos, novos objectivos, outras resoluções.
Dezembro é igualmente o mês das listas intermináveis de presentes, da correria às grandes superfícies ou aos centros comerciais. As ruas iluminam-se, as árvores de natal e os presépios ganham vida por algumas semanas e as músicas de natal ouvem-se em cada esquina.

Cada vez mais prefiro aproveitar este mês de uma forma mais simples e sem grande azafama e confusão. Fazer as minhas compras de Natal de forma mais antecipada ou preferir oferecer pequenos presentes preparados cá em casa. São sempre excelentes ideias, e mais interessantes. Depois preparo pequenas reuniões com os amigos ou com a  família cá em casa, no sossego e conforto, em redor de uma mesa bem composta de coisas boas e com a lareira acesa como cenário de fundo.






E são as castanhas, a rainha da nova receita que aqui partilho. Depois de um Novembro bastante ausente do blog, estou de volto e espero que com muitas mais receitas para partilhar. O trabalho, umas semanas adoentada e depois uns dias de férias ditaram este meu afastamento e ausência. A receita que hoje partilho já está preparada à algum tempo, mas é esse tempo ou a falta dele que dita as regras.
Assim,  alguns meses atrás fui desafiada pela revista Portugal de Sabores e Tradições, a criar uma receita para a rubrica Ingrediente Secreto da edição do mês passado. Nesta rubrica são convidadas três bloguers a criar uma receita cujo ingrediente é secreto. Para a última edição o ingrediente em destaque foi a Castanha. Um fruto desta estação rico em vitaminas e potássio. Assadas ou cozidas, usadas em doces ou salgados a Castanha liga na perfeição com qualquer receita que reconforta o estômago e a alma.




Assim, a pensar nos lanches, ou naquele doce que casa na perfeição com um chá ou um café, criei uns Pasteis de Castanha. Simples de preparar, são compostos por uma massa fina e bem crocante que suporta um creme de castanha super cremoso. O pastel torna-se estaladiço por cima, fruto do açúcar em pó.

Apreciem este pasteis, tanto como eu apreciei!!





Pasteis de Castanha


Ingredientes:

·         Para massa:
250 gr Farinha tipo 65 sem fermento
60 gr banha de porco
1 colher de café de sal fino
Água tépida q.b.
Banha para untar

·         Para recheio:
350 gr açúcar
280 ml água
9 gemas
150 gr puré de castanha (cerca de 450 gr com casca)
80 gr de nozes moídas
1 pau de canela
1 colher de chá de canela em pó
Açúcar em pó q.b.

Preparação:

Comece por fazer um corte nas castanhas e levar a cozer em água temperada com sal. Depois de cozidas retire-lhes a pele e com a ajuda de uma picadora pique tudo muito finamente. Até ficar um puré.
Prepare entretanto a massa. Numa taça coloque a farinha, o sal e a banha. Amasse bem. Vá juntando água até a massa ficar moldável. Transfira a massa para uma bancada e trabalhe bem a massa, amassando a mesma.
Estenda a massa com a ajuda de um rolo até ficar muito fina e forre com a massa pequenas formas de pastel que foram previamente untadas com banha.
Para o creme, leve ao lume o açúcar com a água e o pau de canela até levantar fervura. Noutro recipiente misture o puré de castanha, as nozes picadas muito bem, a canela em pó e as gemas. Misture tudo. Quando o preparado da água estiver a ferver junte a este preparado das gemas misturando muito bem. Leve novamente a lume brando mexendo sempre até o creme engrossar ligeiramente.

Verta o creme para as formas e polvilhe com bastante açúcar em pó. Leve ao forno pré aquecido a 230ºC, numa grelha superior a cozer cerca de 25 minutos. Retire e deixe arrefecer antes de servir. Poderá polvilhar com mais açúcar em pó antes de servir.